quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Décimo Sexto

Agora entendo o nihilismo profundo de algumas pessoas. Nihilistas fumantes, que dizem que seus melhores 20 amigos estão em um maço. Porque as pessoas são podres, e nada pode impedi-las de serem assim. Eu não sou mais uma laranja no cesto, nasce boa e acaba apodrecendo com as demais.

Inveja dos Podres
Felipe Magnus Gil
31 de dezembro de 2009.

O que eu quero
A ninguém interessa.
Da podridão a festa,
de evitar me esmero.

Nada mais seduz.
Ninguém mais me conduz
Em falácias atrativas;
Condição punitiva.

No que sinto, inveja,
somente há torpor,
mesmo que seja
saudade de um amor.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

15 1/4

Singela pergunta:

Eu tenho que frequentar/gostar de puteiros para ser considerado adulto pelos que me rodeiam?


Meretrizes, estas são as primeiras mulheres que o homem se afasta para obter sucesso na vida, já diria Schopenhauer.

Álcool etílico e nicotina são mais saudáveis (menos arrasadores).

Décimo Quinto

Minha vida é cíclica. Na realidade, acredito que todas as vidas, humanas ou não, tenham esta característica. Mas a modernidade nos cega de coisas simples, e ao mesmo tempo impressionantes.

Não consigo escrever como antigamente o fazia. Exatamente porque escreveria os mesmos versos. Mesmo com planos de fundo e situações bem divergentes. Talvez nem tudo na vida seja cíclico (como eu fielmente acredito), mas os sentimentos, esses sim, o são.

Postarei lindos versos de uma poetisa portuguesa, a Florbela Espanca. Um belo par para um anacoreta, e que, ao contrário deste, teve a virtu de nascer no momento histórico correto.

Além de ser bem compatível com o momento vivido...


Florbela Espanca - A Minha Dor

A minha Dor é um convento ideal
Cheio de claustros, sombras, arcarias,
Aonde a pedra em convulsões sombrias
Tem linhas dum requinte escultural.

Os sinos têm dobres de agonias
Ao gemer, comovidos, o seu mal…
E todos têm sons de funeral
Ao bater horas, no correr dos dias…

A minha Dor é um convento. Há lírios
Dum roxo macerado de martírios,
Tão belos como nunca os viu alguém!

Nesse triste convento aonde eu moro,
Noites e dias rezo e grito e choro,
E ninguém ouve… ninguém vê… ninguém…