Merecimento
Felipe Magnus Gil
28 de junho de 2010.
Nada.
Nada é o que mereço.
Pois se merecesse,
a distância não calaria,
a emoção não limitaria,
a palavra não cederia,
a verdade não cortaria.
E nada de surpresas.
Nada. Tudo antigo.
Tudo cíclico.
Silêncio.
De quem deveria ouvir.
O choro em vão,
a palavra em vão,
a verdade em vão,
a vida em vão,
com fins punitivos
a quem merece
nada.
Eu sou o estranho,
eu sou o bizarro,
eu sou o que não sou,
eu não sou o que são.
Silêncio meu.
terça-feira, 29 de junho de 2010
Vigésimo Quarto - Merecimento
Por
Felipe Gil
às
8:43 PM
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sábado, 12 de junho de 2010
Vigésimo Terceiro
Um texto que escrevi em janeiro deste ano. Em uma manhã inspirada. Não é de compreensão geral.
26 de Janeiro de 2010.
Felipe Magnus Gil
"Fizeram que nos esquecessemos de irracionalidades muito antigas, e que não aparentavam ser maléficas.
Após a nuvem de pólvora e chumbo, depois de tantas mortes (incluindo a maior delas, a da verdade), nos fizeram acreditar em um mundo completamente novo, como se houvessem raspado até a lisura toda inscrição humana - tudo que havíamos construído durante séculos a fio.
O homem, nobre ou servo, que trocava moedas por comida ou moradia, agora se vê escravo de uma ganância generalizada por obter o dinheiro que não se gastaria em uma vida, somente para humilhar aquele que era seu semelhante, seu irmão.
Na ausência de um inimigo nacional - começando pela falta de nação - isolaram todos os humanos uns dos outros (não importando se irmãos de sangue, amigos ou desconhecidos) e os fizeram inimigos."
Por
Felipe Gil
às
9:31 AM
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terça-feira, 1 de junho de 2010
Vigésimo Segundo - "Pedido"
Pedido
Felipe Magnus Gil
Madrugada de 31 de maio para 01 de junho de 2010.
Sempre sozinho,
mesmo acompanhado,
mesmo amando.
Sina que me persegue.
Existe felicidade sábia?
Autodestruição sem motivo?
Voltar ao que passou, e dizer
que poderia ter feito melhor.
Quando nunca poderia melhorar.
Arrependimento corrosivo.
Arranca partes do que vivo.
Sem pudor, sem rancor, sem lábia,
da adaptação ao artificial, me esquivo.
E tento fugir das poucas formas
disponíveis. Fugir não adianta,
encarar tampouco. Fracasso certo.
Eu só queria alguém aqui perto.
No frio, que me ponha uma manta,
que diga que não se conforma,
que não tenha que cumprir normas,
que me ame, mesmo estando sozinho.
(Peço muito?)
Por
Felipe Gil
às
12:35 AM
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