quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Oitavo - 'Autômato Rejeito'

Seria meu melhor poema metrado, se não fosse eu desistir no meio, por parecer que outra pessoa estava escrevendo no meu lugar.

Autômato Rejeito
Felipe Magnus Gil
05 de Dezembro de 2007.

Hoje, somente, entendo
porque é corrente o frio
no corpo vazio
salvo de nós mesmos.

Não existe amor
que supere a dor
de sentir pudor
em humano calor.

Não existe amor...
não existe amor
em humano calor.

De tão triste, esqueço
do que me aqueço...
É merecido o desprezo
por aquilo que tenho apreço?

Não existe apreço
sem mais desprezo.
Não existe amor
em humano calor.

Sétimo, 'Valorização Vazia'

Ah, saudade que nunca acaba...

Valorização Vazia
Felipe Magnus Gil
Escrito em 16 de Outubro de 2006.

As horas, com você, se passam
contra a luz, tua sombra sobre mim,
e o tempo voa, a tarde voa,
sonhos que se realizam rápidos demais.

Eram dias banais, mas que tua presença
transformava em dias únicos.
Só não valoriza esses dias quem
como eu, se constitui egoísta depressivo.
E na época, realmente não valorizei.

As horas, sem você, se passam
a favor da luz, tua sombra sobre mim,
e o tempo se arrasta, a tarde se arrasta.
Sonhos engolidos diariamente pela rotina.

São dias únicos, mas que tua ausência
transforma em dias banais.
Só não valoriza esses dias quem
como os outros constituem, joviais poligâmicos.

Não sei mais o que deve ser valorizado.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Sexto - 'O Que Gostarias?'

O Que Gostarias?
Felipe Magnus Gil
Escrito em 4 de Julho de 2007.

Tudo acabou.
O sofrimento acabou.
O que você viveu foi uma piada.
Uma anedota para divertir-te,
divertir-me, atiçar as diferentes emoções
a ti concebidas. Hoje és livre, livre
do que te surpreendia, do que te dava arrepio.
Não tens mais fome, não tens mais sede,
não sente frio, não gera calor. Hoje tu és
etéreo. Hoje tu és o que todos duvidam.
Hoje tu és o que querias ser. Então, feliz?
Feliz com o nada que aqui se vive?
Feliz com o vazio que te preenchia
e o vazio que te preenche?
Feliz com a melodia que ouvias,
agora surda?

Quinto - 'Mãos Gélidas'

Mãos Gélidas
Felipe Magnus Gil
17 de Setembro de 2007.

Em dias frios, nebulosos,
Anacoreta tenta ver o sol;
pena - as janelas do mosteiro
são pequenas, e com o fixar
do olhar, quedam embaçadas.

Descobrindo o amor como
um raiar de sol às paredes
concretas, frias de seu mosteiro,
já se acostumou a ver após
a noite cair, o costumeiro frio.

Doloroso sendo, Anacoreta tenta
trancar-se, quarto sem janela,
no porão de seu mosteiro.

Lá, redescobre memórias
que o tempo frio solidificou.
Acaba por definitivamente morar
ali. Sua vida tornara-se
assistir o derretimento
de todo aquele gelo,
e tentar vivê-lo.

...

Anacoreta de Fevereiro,
quem te entenderás?
Tua única realidade,
motivo de viver,
é distante e pode ter
te esquecido...

sábado, 22 de dezembro de 2007

Quarto - 'Estandarte Real'

Metafóricamente, descreve a nostalgia do personagem.

Estandarte Real
Felipe Magnus Gil
23 de Junho de 2007.

Sou aquela bandeira
tremulando ao vento
presenciando a história
tremular por mim
e, oh, como sinto bem
sendo esta flâmula
a qual guardou em manchas
a memória dos tempos
de inocência, de beleza
medieval, valoroso humano
que presenciei a me hastear.

Sou aquela bandeira,
aquela pequena e suja flâmula
tão valorizada outrora,
Estandarte Real.
Sou aquela que também
mergulhou no sangue
para viver tudo,
tudo que me proporcionaram.

Sou aquela bandeira,
hoje esquecida
em um depósito de lixo,
em um almoxarifado
em prantos,deterioração do tecido.
Ou posso, no máximo,
este Estandarte,
estar exposto em um museu
para ser observado
por quem nunca reverenciou-me,
me amou ou me odiou.

Terceiro - 'Caminho do Meio Diferente'

Uma apresentação existencial do personagem.

Caminho do Meio Diferente
Felipe Magnus Gil
18 de Setembro de 2007.

Nos ensinaram, quão bom o amor é,
olhando, com olhos de criança,
parece impossível
que alguma vez aquilo
pode se tornar motivo de vida,
assim como pode arruiná-la.

E nunca se torna costume.
As pessoas mudam,
os fatos mudam,
os sentimentos mudam,
e o amor só te faz sofrer,
no fim de tudo.

Criança, nao sei amar.
Sou adulto em muitas coisas,
há algum tempo, inclusive.
Mas amar, talvez nunca
aprenda como lidar.

Sei que o sofrer nos ensina,
mas já são tantas dores
que as lições se confundem,
e não sei mais o que aprendi
enquanto me despedia
de alguém.

Meu caminho do meio
nunca será ambos,
mas sempre nenhum.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Segundo - 'A Segunda Promessa'

Após o quebramento da primeira promessa, realizada no poema de 2006.

A Segunda Promessa
Felipe Magnus Gil
Escrito em 05 de Outubro de 2007.

A cada dia que passa,
fico mais próximo de ti.
A promessa que quebrei,
a ficção que inventei -
tudo se materializa novamente.

O que tenho aprendido contigo:
ser mais frio, introvertido,
cético, enfim, solitário.
A cada momento sou,
ainda mais, tua imagem e
semelhança. Incrivelmente,
meu pai, não és.
E o invisível de tua ficção

me instiga a querer ver-te.

...

A partir de hoje,
não sinto nada por ninguém.
Pois aprendi a igualar sonhos
a sentimentos, e a anular-los
invariavelmente, pouco a pouco.

Minha segunda promessa,
tu verás concretizada,
Anacoreta.

Primeiro - 'Tortura do Anacoreta de Fevereiro'

Este foi o poema que me inspirou o nascimento do personagem que dá nome a este blog em mim.

Tortura do Anacoreta de Fevereiro
Felipe Magnus Gil
Escrito em 02 de Novembro de 2006 (data incerta!).

Após o sentimento otimista repentino,
me volta a já normal exclusão a si mesmo.
Prometi, em uma madrugada de verão,
do amor, a triste renúncia.

Mas acabo esquecendo a promessa,
alegre por encontrar alguém que me complete.
Amor distante, amor alegre,
amor distante em todos os sentidos, porém.

E agora esqueço todos ao meu redor
que já alguma atração alguma vez tive,
Anacoreta de fevereiro agora chora
sua forçada entrada ao mosteiro da vida.

Mosteiro isolado, personificado,
abrigando um único monge, que chora
ao olhar forçado de um exterior
onde ninguém sobrevive sozinho.