Desde muito cedo, adquiri o hábito de beber água da torneira ou do chuveiro, quando escorre pelo rosto. Quando guri, jogava bola no pátio do meu condomínio, e sempre que cansava, bebia água numa velha torneira. Meus pais sempre me diziam que aquela água não fazia bem à saúde, mas era tão bom o gosto, a sensação, que nunca resistia ao apelo daquela velha bica.
Passado anos, havia praticamente esquecido esse hábito tão banal.
Chego hoje do trabalho, ligo o chuveiro e me banho com a água completamente gelada, tamanho o calor da cidade nessas épocas. A água escorria pelo rosto. Não resisti - bebi vagarosamente aquela água. A mesma sensação boa, o mesmo gosto, de quando piá. Olhei para cima, depois de um tempo, e avisto os furos do chuveiro de plástico completamente enrubecidos. Lembrei dos alertas dos meus pais. Continuei. As memórias eram tentadoras.
Estou cheio de ferrugem.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Décimo Oitavo - Ferrugem
Por
Felipe Gil
às
7:32 PM
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sábado, 9 de janeiro de 2010
Décimo Sétimo - Interesses
Uma música sarcástica que é aterrorizantemente real para mim.
(Die Prinzen - "Du musst ein Schwein sein")
"Ich war immer freundlich, lieb und nett,
kriegte nie irgend 'ne Frau ins Bett.
Und dann auf Macho, cool und arrogant,
plötzlich kamen sie angerannt.
Und wieder seh' ich wie's im Leben läuft,
wer hart ist, laut und sich besäuft,
kommt bei den Frauen besser an,
wer will schön 'nen lieben Mann?"
Não existe mais nada sério entre ninguém neste mundo. As relações hoje são apenas fruto de interesses convergentes, nada mais que isso. Ninguém quer alguém que se espere fidelidade, amor verdadeiro, ou simplesmente que seja uma pessoa carinhosa.
Minhas expectativas nunca morrem, estou percebendo isso cada vez mais em mim. Guardo-as em um baú de ouro e titânio, trancado a 7 chaves, para que durem. Pois era assim que se vivia em algum tempo remoto ao qual pertenço. Vida linear, em que qualquer vivência sempre era válida, e que nada se jogava fora, esquecia ou abandonava como hoje muito se faz.
As pessoas comuns hoje são repositórios de prazeres, em que a virtude maior é a variedade de fontes destas sensações. Nada mais é considerado além do prazer e dos interesses.
Eu sou ultrapassado. Eu sou Hans Stübel von Christoffeln. Eu sou Qorpo Santo. Eu sou Lemovis Guadalion. Hoje, eu sou ninguém.
Por
Felipe Gil
às
12:09 AM
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