sábado, 27 de novembro de 2010
Trigésimo Terceiro
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Felipe Gil
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segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Trigésimo Segundo - (Primeira Crônica) - Droga do Prazer
Droga de (do) prazer (ou “Obsessão admitida, obsessão curada”)
Felipe Magnus Gil
Madrugada de 21 para 22 de Novembro de 2010.
Tanto se tem falado da prevenção contra o acesso às drogas pelos jovens. Entretanto, a mídia que temos hoje (mídia tradicional e a internet), a cultura popular moderna, entre outros meios, incentivam o acesso a uma forma de prazer que é saudável e não-problemática desde que feita conscientemente, com proteções e, o que nunca é citado, frequentemente. A frequência do sexo é o que o torna saudável. Ou se faz sexo com uma frequência aceitável (o intervalo de tempo varia para cada pessoa) e se é saudável assim, ou então, é extinto qualquer manifestação sexual durante a vida do indivíduo (como os monges religiosos) e também se é saudável assim. As drogas, de maneira geral, possuem este funcionamento – um extremo ou outro.
Você pergunta para um fumante se ele gosta de fumar. Ele vai lhe fornecer uma resposta sempre ambígua, porque é uma pergunta generalista. Ele, através do vício, sente muito prazer em fumar. Quer sempre estar fumando. Esta é a tendência de toda droga. Quando ele, por algum motivo, interrompe o hábito do fumo por algum tempo notável, começa a sentir com intensidade muito maior os malefícios do cigarro, combinado com a abstinência – o cérebro implorando por mais nicotina.
Este raciocínio é notadamente percebido em usuários de qualquer droga. Incluindo o sexo. O indivíduo que possui uma noite, ou duas, ou três, ou talvez uma semana de prazer sexual com seu companheiro(a), sente-se saciado. Contente com o seu próprio desempenho, e de ter partilhado do prazer carnal com alguém que (provavelmente) sinta afeto. Porém, este casal, seja ele de qualquer opção sexual, pode quebrar relações. Normalmente, nesta situação, o que acontece é a “libertação” de uma pessoa e o “encasulamento” de outra. A pessoa liberta vai buscar outra (ou outras) relações, e esquece do passado facilmente. A pessoa encasulada, entretanto, se isola, talvez por já se sentir “inferior”, dependente na antiga relação. Não obstante, esta pessoa passa, um longo período sem sexo. A masturbação, conjuntamente ao conteúdo pornográfico facilmente obtido na internet, se transforma de prazer individual fácil a uma verdadeira mescla entre tortura e rotina. A pessoa acaba por obstinar sexo acima de tudo que ela valorizava anteriormente: uma relação de carinho, de afeto, de amor, enfim. Talvez seja este o famoso ponto de inflexão, em que as pessoas quebram sua ordem primária, sua orientação sexual. Ou se tornam homossexuais, ou bissexuais, ou então, mais radical e desconhecidamente, assexuadas. Se tornam pessoas doentes, em qualquer das formas, se perdem o interesse ou tem o sexo como obsessão.
Uma observação pontual é necessária, na era do politicamente correto. Veja bem: não estou dizendo que homossexuais ou bissexuais em geral são doentes, apenas estou expondo um único viés da “transformação” de algumas pessoas, isto não é discriminar, este artigo é apenas a tentativa do reconhecimento da origem dos transtornos de determinados hetero, homo e bissexuais, e demais orientações não citadas.
Retornando ao ponto central, a imensa maioria das pessoas em nosso país, ocidentalizado, americanizado (influenciado pelos EUA), - através de elementos (discutivelmente) culturais e dos meios de comunicação de massa - torna o sexo pura beleza, esquecendo deste lado preocupante que é o sexo como doença. Tudo se torna radical. Até mesmo o bissexualismo, visto originalmente como algo libertário e sem pudores, pode também ser encarado pela ótica da obsessão do sexo pelo sexo, com qualquer um, a qualquer hora do dia ou da noite. O assexualismo, outra radicalidade, para alguns lembra um aspecto “religioso” pronto a ser depredado e ridicularizado no primeiro instante, por pessoas libertárias. Entretanto, o assexualismo remete, na maioria dos casos, de uma espécie de “vegetarianismo”, ou seja, do simples descarte e “nojo” pela carne – em sentidos alimentares ou sexuais. Assim como o vegetariano passa a ver a carne com desdém e asco, por perceber que a carne é maléfica ao seu organismo, o assexuado passa a perceber o lado mais sujo e doentio do sexo, exatamente através da obsessão da carne – seja através do churrasco ou da orgia.
Se tivéssemos um método de satisfazer os desejos sexuais mais variados de toda uma população jovem (com prioridade aos “encasulados”, os mais infelizes), teríamos menos jovens problemáticos, que se envolvem com outros tipos de droga – aquela que também se faz obsessão, mas que mata – seja a ele próprio, seja a outras pessoas. Assim como se pudéssemos conscientizar os jovens que há muito mais a realizar na vida além de fantasias sexuais, teríamos uma geração inteira mais satisfeita, mais feliz e com mais auto estima. Muitas depressões profundas, que podem acarretar em verdadeiras tragédias juvenis, poderiam ser evitadas, por um método ou outro.
Por fim, temos que analizar e tratar outro mal da sociedade, por seu lado sexual: o sexo como arma. Pessoas soropositivas que agem criminosamente: estando informadas de seu estado de saúde, atraem diversas pessoas com o intuito de transar e, portanto, transmitir esse vírus maldito. Um mal social. Novamente: não é discriminação, é apenas constatação do comportamento de apenas uma parcela dos sorospositivos.
Essa sociedade se tornou complexa e insalubre ao ser humano quando começou a tratar os extremos como fontes de prazer. Comer, beber, assistir, jogar, correr, matar. Tudo igual, tudo prazer.
O ser humano deveria ser simples e equilibrado. O dinheiro abundante de hoje é resultado do extremismo do homem em destruir o que deveria ser praticamente parte de si, a natureza. O poder, o respeito, a confiança, a honra, a dignidade, tudo se traduz pelo dinheiro, tudo se compra, nada mais se conquista simples, honesta e equilibradamente.
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Felipe Gil
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domingo, 24 de outubro de 2010
Trigésimo Primeiro - "Invalidez"
Um poema antigo e atemporal.
Invalidez
Felipe Magnus Gil
22 de dezembro de 2007.
A voz se prova,
mais uma vez, inútil.
A exclusão, o isolamento,
algozes quase amigáveis
de tanto conviver comigo.
A voz que grita, racionalmente,
mas é muda - ninguém quer
sequer tentar compreendê-la.
A mudez consequência
torna-se mudez causa,
e vice-versa.
Cordas vocais inúteis -
opiniões, pontos-se-vista,
cada palavra - tudo inútil.
Por que estou ainda aqui,
gastando tinta de minha caneta
em mais uma observação infeliz,
inválida, refutada, a olhos alheios?
Por que ainda estou aqui?
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Felipe Gil
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segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Trigésimo - Niilismo Novamente
Uma introdução a este post, é uma música EBM de um trio alemão de genialidade abundante, o Absurd Minds. Trecho da música "The Question":
"Have you not wondered what the world is really like ?
how it would look through happy eyes?
For you it's just a judgement on yourself. - It is not there at all.
It's merciless and were it outside you, you should indeed be fearful.
Outside's just the untruth.
So it was you, who made it merciless.
It is not there at all.
It is not there at all - just a picture of what you think you are,
of how you see yourself, of how you see yourself."
Tradução:
"Não percebeste como o mundo realmente é? ;
Como ele se pareceria através de olhos felizes?
Para você, é somente um julgamento de si mesmo. Nada daquilo existe realmente.
É imperdoável, o que está fora de você - você deveria estar realmente com medo.
No lado de fora, somente há inverdades.
E foi você, que tornou tudo imperdoável.
Nada daquilo existe realmente. (x2)
Somente um retrato daquilo que você pensa que é,
de como você se vê, de como você se vê."
Clique aqui para ouvir a música. Vale a pena.
Os posts deste blog costumam documentar, de forma implícita, acontecimentos próximos da minha vida. O Verbete Promiscuidade me "fez" dispensar uma pessoa que, até pouco tempo atrás, achava que era importante para mim.
Agora, o que fica claro, que sempre aconteceu comigo: Eu vejo um mundo externo que não é o verdadeiro. Ou seja, eu criei a minha concepção de mundo, e ela foi se fechando e se unificando de tal maneira que praticamente não possuo livre-arbítrio dentro das possibilidades que eu mesmo desenhei e desenho diariamente. Quando arrisco algo, meu corpo acusa a ultrapassagem da barreira de "mundos" (o mundo REAL e o mundo criado por mim), geralmente com nervosismo extremo, independente da situação.
Como me desfaço de tudo que eu mesmo criei, baseado nas minhas limitações, na minha timidez, na minha mente doente, velha, cleptomaníaca, exagerada? Quando poderei viver uma vida normal, com as mesmas possibilidades que qualquer um?
E para piorar o quadro, sempre há uma divisão interna em mim mesmo, e um destes "lados" indica-se a favor da manutenção permanente deste mundinho artificial que criei após traumas e aventuras mal sucedidas.
Sempre fui romântico, mas esse mundinho artificial, além de tudo, me fez ficar obcecado por sexo. Ou talvez, pela incomodação causada pela falta de. Eu nunca me conheci assim...!
As obcessões, os milhões de desejos reprimidos incuravelmente, os planos para o futuro que se tornam inúteis e descartáveis...fardo acumulado imensamente.
Já estou achando que "Amor" é uma marca de vinho, whisky, licor, ou qualquer coisa assim.
Será que repetirei o processo auto-carcerário que passei entre 15 de agosto de 2006 e 26 de junho de 2009? A solidão, a reclusão, o ostracismo como bandeiras de vida (por falta de opção)?
Por mais que eu já tenha uma família que me dá tudo (a numerosos trancos e barrancos), que eu viajado para N lugares, que eu fale alemão, e que eu seja um promissor programador...eu não queria ser eu mesmo agora. Triste demais para mim.
"You thread your timid way through constant dangers,
alone and frightened, hoping that death will wait a little longer
before it overtakes you.
Yet fear's insanity, yet fear's insanity.
If you change your perspective you would agree,
cause it was you, who made it frightful. - it is not there at all."
"Você compensa sua maneira tímida com perigos constantes,
sozinho e amedrontado, esperando que a morte vá esperar um pouco mais
antes de tomar conta de você.
E ainda teme a insanidade. (x2)
Se você mudasse sua perspectiva, concordaria
que foi você que fez tudo ser amedrontador - nada daquilo realmente existe."
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Felipe Gil
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quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Vigésimo Nono - Haiti (Sílabas)
Um poema experimentalista, pós-moderno. Me encanta esse (novo?) estilo de escrita (que criei?).
Haiti (Sílabas)
Felipe Magnus Gil
23 de setembro de 2010.
Mar tá for, tinhoso.
Frou, chata. A nau fraga.
O ven toma con, tambor.
A chu varre a sujei rasteira.
Terra rasada. Cida destruída.
Concre tomba. Huma nu.
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Felipe Gil
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3:30 AM
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domingo, 29 de agosto de 2010
Vigésimo Oitavo - Verbete Promiscuidade
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Felipe Gil
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quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Vigésimo Sétimo - O Tempo Perdido
Todos os dias quando acordo
Não tenho mais
O tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo...
Todos os dias
Antes de dormir
Lembro e esqueço
Como foi o dia
Sempre em frente
Não temos tempo a perder...
Não tenho medo do escuro
Mas deixe as luzes
Acesas agora
O que foi escondido
É o que se escondeu
E o que foi prometido
Ninguém prometeu
Nem foi tempo perdido
Somos tão jovens...
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Felipe Gil
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12:51 AM
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sábado, 14 de agosto de 2010
Vigésimo Sexto - "Somente para visitar"
Este post começou a surgir quando tive a brilhante ideia de ouvir novamente, depois de um tempo considerável (entre um e dois anos após) uma música que sempre me emociona muito quando ouço. Posso estar triste, feliz, amando alguém ou completamente sozinho, sempre choro ouvindo esta canção: "Nur zu Besuch" ("Somente para visitar", literalmente, do alemão), da banda Die Toten Hosen.
http://www.youtube.com/watch?v=sOzMWu0awMY
A letra não fala, incrivelmente, de amor. Fala da morte do pai do vocalista da banda, em uma metáfora muito bonita. Alguns trechos traduzidos aqui são veiculados, antes que eu encerre o meu raciocínio:
"Sempre quando te visito, me sinto sem limites,
Todo o resto está muito longe daqui.
Me agrada o silêncio daqui, dentre todas as árvores.
É como se a paz na Terra realmente existisse.
(...)
Trago flores comigo, não sei se você vai gostar,
antigamente, você se alegrava bastante.
Como eu estou, você sempre me faz esta pergunta,
eu estou bem, não quero te causar preocupação.
E então converso contigo, como sempre,
como se ainda fosse cedo,
como se tivéssemos todo o tempo do mundo.
Eu sinto você perto de mim,
posso ouvir sua voz ao vento,
e quando chove, sei que você as vezes chora
até o sol brilhar, até ele brilhar novamente.
(...)
E vou sempre ao correio, com grandes cartas endereçadas a ti,
mesmo todos sabendo que você já se mudou.
E então, eu converso contigo, como sempre,
e eu te prometo, nós teremos, a qualquer momento,
todo tempo do mundo.
E então vamos nos rever,
você pode se preocupar, quando quiser,
que neste dia, o sol também brilhará sobre minha lápide,
até o sol brilhar, até ele brilhar novamente."
Esta letra me lembra conceitos muito próximos do meu "ideal" amoroso, um tanto quanto romântico a moda antiga. O trecho do ramo de flores entregue sem expectativa de 'retorno', do "não quero te causar preocupação" e da carta endereçada para o endereço errado, são exemplos.
São coisas pequenas, de um comportamento que não se percebe mais. Isto é o meu ideal emotivo até hoje. Entretanto, eu fui obrigado a "esquecer", a ignorar tudo isso com o passar do tempo, com o calejar do rosto e do coração. Em nome da modernidade: este "idioma" comum entre a maior parte das pessoas. Esta modernidade que põe como ideal objetos, e não sentimentos, situações, pessoas. A modernidade pressupõe a banalização. E também pressupõe (a banalização d)o fútil.
É engraçado perceber a transição de um romântico "até-as-últimas-consequências", como já fui, para um cara tentando se passar por moderno (sem o sucesso que espero). Engraçado mesmo, cômico. Porque a gente acaba se moldando por aquilo que os outros querem que a gente seja (visando maior aceitação), e não aquilo que queremos de verdade (por mais antiquado que possa parecer).
A modernidade nunca trará o sucesso emocional que espero. Somente trará, em seus fúteis desfechos, desilusão e banalização do que (ainda) pode se sentir por alguém.
Mas, seguirei (ou seguiremos) assim, fiel(éis) fingidor(es). Porque ser moderno é mais "prático", é mais jovem mesmo. #ironia
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Felipe Gil
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domingo, 25 de julho de 2010
Vigésimo Quinto - O Artista
O Artista
Felipe Magnus Gil
25 de julho de 2010.
Artista é quem sofre
mas não como todos
mas não como muitos
mas com todos os muitos.
Artista faz arte porque sofre.
Mesmo sendo pequeno,
mesmo sendo exagerado,
exageros pequenos são arte.
Cada desejo não atendido
é uma gota de arte nascente.
Tem como mãe a moral,
como pai, a razão.
O silêncio dos tempos,
o meu próprio silêncio.
Some a arte passional,
então surge a coloquial.
...
Artista não pensa.
Sentir é o verbo;
esquecer de ouvir,
esquecer de amar,
esquecer de andar.
Racionalidade, é o que me pedem.
Quando se despedem, "te cuida!".
Não sei se é um recado indireto
da minha alta irresponsabilidade,
da falta de quem ame alguém assim,
ou da minha falta de caminho. Sina.
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Felipe Gil
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terça-feira, 29 de junho de 2010
Vigésimo Quarto - Merecimento
Merecimento
Felipe Magnus Gil
28 de junho de 2010.
Nada.
Nada é o que mereço.
Pois se merecesse,
a distância não calaria,
a emoção não limitaria,
a palavra não cederia,
a verdade não cortaria.
E nada de surpresas.
Nada. Tudo antigo.
Tudo cíclico.
Silêncio.
De quem deveria ouvir.
O choro em vão,
a palavra em vão,
a verdade em vão,
a vida em vão,
com fins punitivos
a quem merece
nada.
Eu sou o estranho,
eu sou o bizarro,
eu sou o que não sou,
eu não sou o que são.
Silêncio meu.
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Felipe Gil
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sábado, 12 de junho de 2010
Vigésimo Terceiro
Um texto que escrevi em janeiro deste ano. Em uma manhã inspirada. Não é de compreensão geral.
26 de Janeiro de 2010.
Felipe Magnus Gil
"Fizeram que nos esquecessemos de irracionalidades muito antigas, e que não aparentavam ser maléficas.
Após a nuvem de pólvora e chumbo, depois de tantas mortes (incluindo a maior delas, a da verdade), nos fizeram acreditar em um mundo completamente novo, como se houvessem raspado até a lisura toda inscrição humana - tudo que havíamos construído durante séculos a fio.
O homem, nobre ou servo, que trocava moedas por comida ou moradia, agora se vê escravo de uma ganância generalizada por obter o dinheiro que não se gastaria em uma vida, somente para humilhar aquele que era seu semelhante, seu irmão.
Na ausência de um inimigo nacional - começando pela falta de nação - isolaram todos os humanos uns dos outros (não importando se irmãos de sangue, amigos ou desconhecidos) e os fizeram inimigos."
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Felipe Gil
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terça-feira, 1 de junho de 2010
Vigésimo Segundo - "Pedido"
Pedido
Felipe Magnus Gil
Madrugada de 31 de maio para 01 de junho de 2010.
Sempre sozinho,
mesmo acompanhado,
mesmo amando.
Sina que me persegue.
Existe felicidade sábia?
Autodestruição sem motivo?
Voltar ao que passou, e dizer
que poderia ter feito melhor.
Quando nunca poderia melhorar.
Arrependimento corrosivo.
Arranca partes do que vivo.
Sem pudor, sem rancor, sem lábia,
da adaptação ao artificial, me esquivo.
E tento fugir das poucas formas
disponíveis. Fugir não adianta,
encarar tampouco. Fracasso certo.
Eu só queria alguém aqui perto.
No frio, que me ponha uma manta,
que diga que não se conforma,
que não tenha que cumprir normas,
que me ame, mesmo estando sozinho.
(Peço muito?)
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Felipe Gil
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12:35 AM
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domingo, 28 de março de 2010
Vigésimo Primeiro - "Os Dias Passam"
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Felipe Gil
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quarta-feira, 24 de março de 2010
Vigésimo - "Cigarro Ar"
Cigarro Ar
Felipe Magnus Gil
Madrugada de 23 para 24 de Março de 2010.
As cinzas deste chão
ardem em mim.
As cinzas do meu ser
pairam sobre o ar.
Trago o vento,
forço a fumaça,
é tudo igual.
Sem farsas,
passageiro,
mortal.
Quando não há mais prazer
ou vazão, ou sentido, ou sequer
ódio, naquilo que se respira,
só é urgente o novo.
Trago o vento,
escondo tempestade,
é tudo igual.
Majestade,
louco,
banal.
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Felipe Gil
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2:43 AM
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domingo, 28 de fevereiro de 2010
Décimo Nono - Louco
Estou ficando louco. Através do simples medo de enlouquecer. No pior sentido da palavra. Não entendimento, ostracismo, inércia, sensação de inutilidade. De ser alguém não adequado a este puto planeta. Onde as pessoas mais valorizadas são exatamente aquelas que não valem a sola do sapato que usam.
...
Mas nem sei porque digo e repito essas coisas, afinal, eu sou louco, e como tal, não sou ouvido pelos (teoricamente) conscientes.
Meus erros são sempre maiores que meus acertos. Sempre. Até isto que estou escrevendo, já considero um erro. Mas um erro de quem já se considera que não tenha mais nada a perder com esses atos insensatos.
Já não sei mais o que é amar. Cada coisa que vejo... A noção das coisas acaba sempre se dissipando no ar, como a fumaça de um cigarro.
Talvez por essa falta de referencial, eu tome para mim conceitos, práticas e condutas das mais ultrapassadas possíveis. Sim, isso tirando o fato aqui já citado: eu sou velho - minha alma é assim.
A noção que tenho, que não existe ninguém (mais) que possa me satisfazer (como pessoa, sexo parece algo em série hoje em dia) pode ser, para alguns, arrogância, soberba, ou sei-lá-o-quê. Mas para mim, é a prova mais contundente da minha velhice. A velhice que me torna inadequado (no mínimo) para este puto mundo.
...
...
E as únicas bocas que me fazem feliz são as que derramam álcool em mim.
Porque, de outra forma, sempre há descontentamento (meu ou da outra pessoa).
São inúmeras, incontáveis as vezes que pensei durante minha curta vida que nasci para ser sozinho. Ou, a versão mais nova deste pensamento, que nasci apenas para assistir a felicidade alheia.
~Ele não consegue relaxar...ele não consegue nem ao menos dormir! Ele é tenso só porque seu amor não vive em São Paulo, nem Porto Alegre, em lugar nenhum!~
Por
Felipe Gil
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8:29 PM
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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Décimo Oitavo - Ferrugem
Desde muito cedo, adquiri o hábito de beber água da torneira ou do chuveiro, quando escorre pelo rosto. Quando guri, jogava bola no pátio do meu condomínio, e sempre que cansava, bebia água numa velha torneira. Meus pais sempre me diziam que aquela água não fazia bem à saúde, mas era tão bom o gosto, a sensação, que nunca resistia ao apelo daquela velha bica.
Passado anos, havia praticamente esquecido esse hábito tão banal.
Chego hoje do trabalho, ligo o chuveiro e me banho com a água completamente gelada, tamanho o calor da cidade nessas épocas. A água escorria pelo rosto. Não resisti - bebi vagarosamente aquela água. A mesma sensação boa, o mesmo gosto, de quando piá. Olhei para cima, depois de um tempo, e avisto os furos do chuveiro de plástico completamente enrubecidos. Lembrei dos alertas dos meus pais. Continuei. As memórias eram tentadoras.
Estou cheio de ferrugem.
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Felipe Gil
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7:32 PM
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sábado, 9 de janeiro de 2010
Décimo Sétimo - Interesses
Uma música sarcástica que é aterrorizantemente real para mim.
(Die Prinzen - "Du musst ein Schwein sein")
"Ich war immer freundlich, lieb und nett,
kriegte nie irgend 'ne Frau ins Bett.
Und dann auf Macho, cool und arrogant,
plötzlich kamen sie angerannt.
Und wieder seh' ich wie's im Leben läuft,
wer hart ist, laut und sich besäuft,
kommt bei den Frauen besser an,
wer will schön 'nen lieben Mann?"
Não existe mais nada sério entre ninguém neste mundo. As relações hoje são apenas fruto de interesses convergentes, nada mais que isso. Ninguém quer alguém que se espere fidelidade, amor verdadeiro, ou simplesmente que seja uma pessoa carinhosa.
Minhas expectativas nunca morrem, estou percebendo isso cada vez mais em mim. Guardo-as em um baú de ouro e titânio, trancado a 7 chaves, para que durem. Pois era assim que se vivia em algum tempo remoto ao qual pertenço. Vida linear, em que qualquer vivência sempre era válida, e que nada se jogava fora, esquecia ou abandonava como hoje muito se faz.
As pessoas comuns hoje são repositórios de prazeres, em que a virtude maior é a variedade de fontes destas sensações. Nada mais é considerado além do prazer e dos interesses.
Eu sou ultrapassado. Eu sou Hans Stübel von Christoffeln. Eu sou Qorpo Santo. Eu sou Lemovis Guadalion. Hoje, eu sou ninguém.
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Felipe Gil
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