sábado, 14 de agosto de 2010

Vigésimo Sexto - "Somente para visitar"

Não, este post não é um poema solto. É um pensamento meu, sobre o que vivi emocionalmente até este exato minuto. É bom ter momentos em que pode se olhar tudo "de cima", e opinar sobre si mesmo, mesmo que seja falando sozinho neste blog.

Este post começou a surgir quando tive a brilhante ideia de ouvir novamente, depois de um tempo considerável (entre um e dois anos após) uma música que sempre me emociona muito quando ouço. Posso estar triste, feliz, amando alguém ou completamente sozinho, sempre choro ouvindo esta canção: "Nur zu Besuch" ("Somente para visitar", literalmente, do alemão), da banda Die Toten Hosen.

http://www.youtube.com/watch?v=sOzMWu0awMY

A letra não fala, incrivelmente, de amor. Fala da morte do pai do vocalista da banda, em uma metáfora muito bonita. Alguns trechos traduzidos aqui são veiculados, antes que eu encerre o meu raciocínio:

"Sempre quando te visito, me sinto sem limites,
Todo o resto está muito longe daqui.



Me agrada o silêncio daqui, dentre todas as árvores.

É como se a paz na Terra realmente existisse.

(...)

Trago flores comigo, não sei se você vai gostar,

antigamente, você se alegrava bastante.



Como eu estou, você sempre me faz esta pergunta,

eu estou bem, não quero te causar preocupação.

E então converso contigo, como sempre,

como se ainda fosse cedo,

como se tivéssemos todo o tempo do mundo.


Eu sinto você perto de mim,
posso ouvir sua voz ao vento,
e quando chove, sei que você as vezes chora
até o sol brilhar, até ele brilhar novamente.

(...)

E vou sempre ao correio, com grandes cartas endereçadas a ti,
mesmo todos sabendo que você já se mudou.

E então, eu converso contigo, como sempre,
e eu te prometo, nós teremos, a qualquer momento,
todo tempo do mundo.

E então vamos nos rever,
você pode se preocupar, quando quiser,
que neste dia, o sol também brilhará sobre minha lápide,
até o sol brilhar, até ele brilhar novamente."

Esta letra me lembra conceitos muito próximos do meu "ideal" amoroso, um tanto quanto romântico a moda antiga. O trecho do ramo de flores entregue sem expectativa de 'retorno', do "não quero te causar preocupação" e da carta endereçada para o endereço errado, são exemplos.
São coisas pequenas, de um comportamento que não se percebe mais. Isto é o meu ideal emotivo até hoje. Entretanto, eu fui obrigado a "esquecer", a ignorar tudo isso com o passar do tempo, com o calejar do rosto e do coração. Em nome da modernidade: este "idioma" comum entre a maior parte das pessoas. Esta modernidade que põe como ideal objetos, e não sentimentos, situações, pessoas. A modernidade pressupõe a banalização. E também pressupõe (a banalização d)o fútil.
É engraçado perceber a transição de um romântico "até-as-últimas-consequências", como já fui, para um cara tentando se passar por moderno (sem o sucesso que espero). Engraçado mesmo, cômico. Porque a gente acaba se moldando por aquilo que os outros querem que a gente seja (visando maior aceitação), e não aquilo que queremos de verdade (por mais antiquado que possa parecer).
A modernidade nunca trará o sucesso emocional que espero. Somente trará, em seus fúteis desfechos, desilusão e banalização do que (ainda) pode se sentir por alguém.

Mas, seguirei (ou seguiremos) assim, fiel(éis) fingidor(es). Porque ser moderno é mais "prático", é mais jovem mesmo. #ironia

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