quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Vigésimo Sétimo - O Tempo Perdido

Todos os dias quando acordo
Não tenho mais
O tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo...
Todos os dias
Antes de dormir
Lembro e esqueço
Como foi o dia
Sempre em frente
Não temos tempo a perder...

Não tenho medo do escuro
Mas deixe as luzes
Acesas agora
O que foi escondido
É o que se escondeu
E o que foi prometido
Ninguém prometeu
Nem foi tempo perdido
Somos tão jovens...


Inevitável, começar a falar sobre um assunto desses sem lembrar dessa música.

Eu estou tentando apagar todo o meu passado, que foi bom, que foi aventureiro, que foi audacioso, mas que não passa de passado. Estou tentando, com todas as minhas forças, buscar gente nova, conceitos novos, sentimentos novos, enfim. Mas é desconfortável olhar em volta e perceber que todas as pessoas (mesmo as que se quer bem) estão em melhores situações que você. Não é inveja, ou pelo menos, não com esta intenção. É que simplesmente sinto que meu tempo está todo sendo perdido. Tudo, fisicamente, mentalmente, tudo está se esvaindo.

Eu discordo, no meu caso em particular, daquela frase que diz que o homem só envelhece quando ele pára de aprender. Estou sempre aprendendo, seja lá o que for, mas isso não rejuvenesce. Se eu parasse de aprender, ia ser somente (mais um) desinformado, desatualizado, absurdo. É "popular" ser assim, em muitos meios sociais. A população recebe pouquíssimos incentivos à cultura - portanto, eu seria até mais feliz. Mas seria uma felicidade que vai contra a minha essência.

Eu estou envelhecendo, e sinto isso rapidamente em mim, a cada dia. O envelhecimento tem muito mais relação com a intensidade do instinto de auto-preservação do que, de fato, o aprendizado que se leva. Tenho uma tendência a ser auto-destrutivo, por conta dos poucos prazeres que posso sentir. Me privar deste lado "suicida" é também me privar dos meus prazeres.

Tem gente muito mais conservadora que eu (mentalmente) que transa de 2 a 3 vezes por semana, com pessoas diferentes. Sempre têm assunto pra contar. E se tem uma infelicidade amorosa, tudo bem, existem mais pessoas relacionadas, e ainda há o permanente poder de sedução sobre novas pessoas.

O que eu posso falar, fazer, perante situações dessas? Me sentir constrangido, envergonhado, triste, por não aproveitar minha juventude. Por não PODER aproveitar. Seja por incompetência, seja por falta de oportunidade, seja por modernismos alheios que ainda não entendo.

O tempo vai passando, e eu vou me destruindo. Eu não tenho pena de mim mesmo, apesar de muitos dizerem que me martirizo. É a verdade que busco - a verdade que percebo é da incompetência mesclada com falta de sorte, em potências elevadas.


Eu vou morrer numa taverna. Bebendo, pseudo-felicidade. A inteligência queimada pelo álcool. A esperança de mudar, idém.

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