Estou ficando louco. Através do simples medo de enlouquecer. No pior sentido da palavra. Não entendimento, ostracismo, inércia, sensação de inutilidade. De ser alguém não adequado a este puto planeta. Onde as pessoas mais valorizadas são exatamente aquelas que não valem a sola do sapato que usam.
...
Mas nem sei porque digo e repito essas coisas, afinal, eu sou louco, e como tal, não sou ouvido pelos (teoricamente) conscientes.
Meus erros são sempre maiores que meus acertos. Sempre. Até isto que estou escrevendo, já considero um erro. Mas um erro de quem já se considera que não tenha mais nada a perder com esses atos insensatos.
Já não sei mais o que é amar. Cada coisa que vejo... A noção das coisas acaba sempre se dissipando no ar, como a fumaça de um cigarro.
Talvez por essa falta de referencial, eu tome para mim conceitos, práticas e condutas das mais ultrapassadas possíveis. Sim, isso tirando o fato aqui já citado: eu sou velho - minha alma é assim.
A noção que tenho, que não existe ninguém (mais) que possa me satisfazer (como pessoa, sexo parece algo em série hoje em dia) pode ser, para alguns, arrogância, soberba, ou sei-lá-o-quê. Mas para mim, é a prova mais contundente da minha velhice. A velhice que me torna inadequado (no mínimo) para este puto mundo.
...
...
E as únicas bocas que me fazem feliz são as que derramam álcool em mim.
Porque, de outra forma, sempre há descontentamento (meu ou da outra pessoa).
São inúmeras, incontáveis as vezes que pensei durante minha curta vida que nasci para ser sozinho. Ou, a versão mais nova deste pensamento, que nasci apenas para assistir a felicidade alheia.
~Ele não consegue relaxar...ele não consegue nem ao menos dormir! Ele é tenso só porque seu amor não vive em São Paulo, nem Porto Alegre, em lugar nenhum!~
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Décimo Nono - Louco
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Felipe Gil
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8:29 PM
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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Décimo Oitavo - Ferrugem
Desde muito cedo, adquiri o hábito de beber água da torneira ou do chuveiro, quando escorre pelo rosto. Quando guri, jogava bola no pátio do meu condomínio, e sempre que cansava, bebia água numa velha torneira. Meus pais sempre me diziam que aquela água não fazia bem à saúde, mas era tão bom o gosto, a sensação, que nunca resistia ao apelo daquela velha bica.
Passado anos, havia praticamente esquecido esse hábito tão banal.
Chego hoje do trabalho, ligo o chuveiro e me banho com a água completamente gelada, tamanho o calor da cidade nessas épocas. A água escorria pelo rosto. Não resisti - bebi vagarosamente aquela água. A mesma sensação boa, o mesmo gosto, de quando piá. Olhei para cima, depois de um tempo, e avisto os furos do chuveiro de plástico completamente enrubecidos. Lembrei dos alertas dos meus pais. Continuei. As memórias eram tentadoras.
Estou cheio de ferrugem.
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Felipe Gil
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7:32 PM
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sábado, 9 de janeiro de 2010
Décimo Sétimo - Interesses
Uma música sarcástica que é aterrorizantemente real para mim.
(Die Prinzen - "Du musst ein Schwein sein")
"Ich war immer freundlich, lieb und nett,
kriegte nie irgend 'ne Frau ins Bett.
Und dann auf Macho, cool und arrogant,
plötzlich kamen sie angerannt.
Und wieder seh' ich wie's im Leben läuft,
wer hart ist, laut und sich besäuft,
kommt bei den Frauen besser an,
wer will schön 'nen lieben Mann?"
Não existe mais nada sério entre ninguém neste mundo. As relações hoje são apenas fruto de interesses convergentes, nada mais que isso. Ninguém quer alguém que se espere fidelidade, amor verdadeiro, ou simplesmente que seja uma pessoa carinhosa.
Minhas expectativas nunca morrem, estou percebendo isso cada vez mais em mim. Guardo-as em um baú de ouro e titânio, trancado a 7 chaves, para que durem. Pois era assim que se vivia em algum tempo remoto ao qual pertenço. Vida linear, em que qualquer vivência sempre era válida, e que nada se jogava fora, esquecia ou abandonava como hoje muito se faz.
As pessoas comuns hoje são repositórios de prazeres, em que a virtude maior é a variedade de fontes destas sensações. Nada mais é considerado além do prazer e dos interesses.
Eu sou ultrapassado. Eu sou Hans Stübel von Christoffeln. Eu sou Qorpo Santo. Eu sou Lemovis Guadalion. Hoje, eu sou ninguém.
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Felipe Gil
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12:09 AM
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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Décimo Sexto
Agora entendo o nihilismo profundo de algumas pessoas. Nihilistas fumantes, que dizem que seus melhores 20 amigos estão em um maço. Porque as pessoas são podres, e nada pode impedi-las de serem assim. Eu não sou mais uma laranja no cesto, nasce boa e acaba apodrecendo com as demais.
Inveja dos Podres
Felipe Magnus Gil
31 de dezembro de 2009.
O que eu quero
A ninguém interessa.
Da podridão a festa,
de evitar me esmero.
Nada mais seduz.
Ninguém mais me conduz
Em falácias atrativas;
Condição punitiva.
No que sinto, inveja,
somente há torpor,
mesmo que seja
saudade de um amor.
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Felipe Gil
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8:32 PM
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terça-feira, 29 de dezembro de 2009
15 1/4
Singela pergunta:
Eu tenho que frequentar/gostar de puteiros para ser considerado adulto pelos que me rodeiam?
Meretrizes, estas são as primeiras mulheres que o homem se afasta para obter sucesso na vida, já diria Schopenhauer.
Álcool etílico e nicotina são mais saudáveis (menos arrasadores).
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Felipe Gil
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11:55 PM
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Décimo Quinto
Minha vida é cíclica. Na realidade, acredito que todas as vidas, humanas ou não, tenham esta característica. Mas a modernidade nos cega de coisas simples, e ao mesmo tempo impressionantes.
Não consigo escrever como antigamente o fazia. Exatamente porque escreveria os mesmos versos. Mesmo com planos de fundo e situações bem divergentes. Talvez nem tudo na vida seja cíclico (como eu fielmente acredito), mas os sentimentos, esses sim, o são.
Postarei lindos versos de uma poetisa portuguesa, a Florbela Espanca. Um belo par para um anacoreta, e que, ao contrário deste, teve a virtu de nascer no momento histórico correto.
Além de ser bem compatível com o momento vivido...
Florbela Espanca - A Minha Dor
A minha Dor é um convento ideal
Cheio de claustros, sombras, arcarias,
Aonde a pedra em convulsões sombrias
Tem linhas dum requinte escultural.
Os sinos têm dobres de agonias
Ao gemer, comovidos, o seu mal…
E todos têm sons de funeral
Ao bater horas, no correr dos dias…
A minha Dor é um convento. Há lírios
Dum roxo macerado de martírios,
Tão belos como nunca os viu alguém!
Nesse triste convento aonde eu moro,
Noites e dias rezo e grito e choro,
E ninguém ouve… ninguém vê… ninguém…
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Felipe Gil
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11:22 PM
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quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Décimo Quarto - "Amores e Desejos"
Aqueles conceituais, sinto uma certa vergonha de postá-los...ah, tanto faz.
Amores e Desejos
Felipe Magnus Gil
30 de Abril de 2005.
A alegria é, muitas vezes,
conseqüente da ignorância.
Já ouvi muitas vezes, por aí,
que amores precisam ser alegres.
Portanto, precisam ser ignorantes,
alegres, descontrolados, mas capazes.
Outras vezes, amores são resultado
de um sentimento interno muito grande,
simplesmente por estar só.
Quando o amor finalmente então vem,
O mundo é composto de duas pessoas
somente,todo o resto passa a inexistir.
Sofrimento também causa ignorância,
mas gera indiferença também.
E quando não ignora-se mais
O que está a nossa volta -
(geralmente na decepção
de não ser aceito amorosamente),
surge o simplese tão condenado desejo -
O qual é solitário, pode abranger
muito mais do que uma pessoa.
O desejo faz com que todas as pessoas
pareçam como elas são -Assim, algumas se destacam.
Desejos são para pessoas tímidas,
Permitem tudo, imaginativamente.
Desejos contradizem tudo
o que fazemos - (ou deveríamos)
na realidade do dia-a-dia.
Amores são cegos, sim,
por serem ignorantes.
Os amores são criativas desculpas
para desejarmos quem não conhecemos.
Amores se provam ignorantes pois,se julgam eternos -
Mas mal sabem eles
que nada resiste à força do tempo.
A expansividade dos amores
se justifica por não conhecermos
quem estamos amando.
E nem sabemos quando é recíproco!
Rejeitados, todos caem no desejo.
O pecado extremo Católico,
que todos cometem, mesmo amando.
Por
Felipe Gil
às
10:10 PM
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Décimo Terceiro - "Sociedade Hierárquica"
Um dos meus poemas atemporais.
Sociedade Hierárquica
Felipe Magnus Gil
11 de Fevereiro de 2006.
Sem eu, eles vivem.
Comigo, igualmente.
Somos um pequeno grupo,
Vivendo entre os traiçoeiros rochedos
de uma sociedade hierárquica.
Desde Roma, possui o mesmo funcionamento,...
Os melhores em altos cargos,
Os piores, "aos leões"...
Vivemos limitados pelos rochedos alheios
Caminhando contra o vento, com medo
Que pedregulhos caiam sobre nós.
Enquanto os que estão nos rochedos estão cegos pelo Sol,
Estamos sendo guiados a um lugar ignoto
Pela nossa própria escuridão.
...
Nunca cresceremos a ponto de alcançar os rochedos
Nunca os alcançaremos, diante de suas gigantes sombras.
Que pedregulhos caiam sobre nós!
As sombras dos rochedos não nos permitem
alcançar um olhar inocente
dos céus.
Somos um pequeno grupo
Caminhando contra o vento, com medo
da nossa própria escuridão.
Vivemos limitados pelos rochedos alheios
Apesar das sombras dos rochedos não nos permitirem
que pedregulhos caiam sobre nós.
Vivemos limitados pelos rochedos alheios
E nunca cresceremos a ponto de alcançar os rochedos
dos céus.
Vivendo entre os traiçoeiros rochedos
Estamos sendo guiados a um lugar ignoto
de uma sociedade hieráquica.
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Felipe Gil
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9:53 PM
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terça-feira, 5 de agosto de 2008
Décimo Segundo - "Fábrica" (parte 1)
Esse é um dos meus (poucos) poemas atemporais, e que tem um certo tom rebelde...
Estilo distoante do resto do blog, mas ainda sim, é válido postá-lo, ela continua em voga. =D
Fábrica
Felipe Magnus Gil
08 de Agosto de 2005.
Frios humanos,
ocos são os crânios
e através dos anos
dados tiranos
passeiam nestes crânios
como ciganos.
E tudo passa em branco.
Não querem que sejas franco
Apenas querem tua senha do banco
Apenas querem mais uma muleta, como mancos.
Inteligência, comportamento, consciência de plástico,
Realidade voltada para o fantástico
Tudo que assiste, tudo deve ser muito mágico,
São todos iguais, todos fanáticos
E tudo se passa frustrante.
Querem que sejas ignorante
Consumidor fiel, obeso, homem propaganda, bêbado e fumante
Querem que sejas tudo aquilo que se assiste dela diante.
A Deusa da Modernidade.
Por
Felipe Gil
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9:49 PM
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Décimo Primeiro - 'Imobilidade'
"Comemorando", com uma semana de atraso, os 2 anos de aniversário do (eterno) Anacoreta.
(15/02/2006)
Imobilidade
Felipe Magnus Gil
22 de Fevereiro de 2008.
O que vivo hoje,
(dói-me profundo),
só ilustra o que perdi.
Pois o que conquistei
não tem valor algum
para ninguém, e o que perdi
possui valor imenso para todos.
Nunca esperei letargia
em madrugadas de espera.
Nunca pensei que difícil fosse,
e o costume, tão tentador.
Se a lágrima derramada ontém
fosse a mesma derramada hoje,
talvez me acostumaria a algo.
As inócuas esperas de hoje
ilustram-me a ignoradíssima
abundância de outrora,
cruelmente, como fui antes.
Resumir a paralisia que sinto
em não poder fazer nada por mim
é algo que ninguém entenderia.
O ignorar de tudo que sou
para somente tentar atrativo
ser, como um produto...triste
a modernidade que age assim.
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Felipe Gil
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11:24 PM
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Décimo - 'Dança Macabra'
Sem maiores comentários...
apenas...15 de Agosto de 2006.
Dança Macabra
Felipe Magnus Gil
30 de Janeiro de 2008.
O esquecimento
não é mais opção.
Quero esquecer-me
até que alguém ache
no despropósito de vida
de minha acédia
alguma pena.
O distanciamento
de tudo e todos
se justifica
dia-a-dia,
sempre o busquei
nunca claramente,
mas sempre busquei.
Hoje encontrei o que sempre quis.
Despejei minha vida,
alguém tomou posse
e fez não sei o que dela.
Somente queria
ter minha vida novamente.
A dança macabra
faz muito sentido
nestes dias obscuros
apenas de cândidos
disfarçados...
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Felipe Gil
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2:39 PM
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quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Nono - 'Freeway'
Voltando de Capão Novo, estou postando um poema diferente da linha "histórica" do personagem, mas que acho que combina (apesar de ser um tanto conceitual)...
Freeway
Felipe Magnus Gil
29 de Dezembro de 2007.
Campos,
arrozais, fazendas
a perder de vista.
Lagoas temporárias,
cheiro de terra molhada,
mato-cerrado, erva-cidreira.
Pastagens, distantes rebanhos,
vento ligeiro de marcela.
Beleza nativa, entrelaçada
à natureza morta das tábuas
secas pintadas expostas.
Suspensos fios se cruzam
e quase tocam o solo
de quem vai e de quem chega.
Alta colina verdejante
que me convida a tudo olvidar
e rolar sobre sua alta grama
até a faixa de asfalto.
Por
Felipe Gil
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7:23 PM
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quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
Oitavo - 'Autômato Rejeito'
Seria meu melhor poema metrado, se não fosse eu desistir no meio, por parecer que outra pessoa estava escrevendo no meu lugar.
Autômato Rejeito
Felipe Magnus Gil
05 de Dezembro de 2007.
Hoje, somente, entendo
porque é corrente o frio
no corpo vazio
salvo de nós mesmos.
Não existe amor
que supere a dor
de sentir pudor
em humano calor.
Não existe amor...
não existe amor
em humano calor.
De tão triste, esqueço
do que me aqueço...
É merecido o desprezo
por aquilo que tenho apreço?
Não existe apreço
sem mais desprezo.
Não existe amor
em humano calor.
Por
Felipe Gil
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9:30 PM
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Sétimo, 'Valorização Vazia'
Ah, saudade que nunca acaba...
Valorização Vazia
Felipe Magnus Gil
Escrito em 16 de Outubro de 2006.
As horas, com você, se passam
contra a luz, tua sombra sobre mim,
e o tempo voa, a tarde voa,
sonhos que se realizam rápidos demais.
Eram dias banais, mas que tua presença
transformava em dias únicos.
Só não valoriza esses dias quem
como eu, se constitui egoísta depressivo.
E na época, realmente não valorizei.
As horas, sem você, se passam
a favor da luz, tua sombra sobre mim,
e o tempo se arrasta, a tarde se arrasta.
Sonhos engolidos diariamente pela rotina.
São dias únicos, mas que tua ausência
transforma em dias banais.
Só não valoriza esses dias quem
como os outros constituem, joviais poligâmicos.
Não sei mais o que deve ser valorizado.
Por
Felipe Gil
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4:22 PM
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terça-feira, 25 de dezembro de 2007
Sexto - 'O Que Gostarias?'
O Que Gostarias?
Felipe Magnus Gil
Escrito em 4 de Julho de 2007.
Tudo acabou.
O sofrimento acabou.
O que você viveu foi uma piada.
Uma anedota para divertir-te,
divertir-me, atiçar as diferentes emoções
a ti concebidas. Hoje és livre, livre
do que te surpreendia, do que te dava arrepio.
Não tens mais fome, não tens mais sede,
não sente frio, não gera calor. Hoje tu és
etéreo. Hoje tu és o que todos duvidam.
Hoje tu és o que querias ser. Então, feliz?
Feliz com o nada que aqui se vive?
Feliz com o vazio que te preenchia
e o vazio que te preenche?
Feliz com a melodia que ouvias,
agora surda?
Por
Felipe Gil
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5:32 PM
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Quinto - 'Mãos Gélidas'
Mãos Gélidas
Felipe Magnus Gil
17 de Setembro de 2007.
Em dias frios, nebulosos,
Anacoreta tenta ver o sol;
pena - as janelas do mosteiro
são pequenas, e com o fixar
do olhar, quedam embaçadas.
Descobrindo o amor como
um raiar de sol às paredes
concretas, frias de seu mosteiro,
já se acostumou a ver após
a noite cair, o costumeiro frio.
Doloroso sendo, Anacoreta tenta
trancar-se, quarto sem janela,
no porão de seu mosteiro.
Lá, redescobre memórias
que o tempo frio solidificou.
Acaba por definitivamente morar
ali. Sua vida tornara-se
assistir o derretimento
de todo aquele gelo,
e tentar vivê-lo.
...
Anacoreta de Fevereiro,
quem te entenderás?
Tua única realidade,
motivo de viver,
é distante e pode ter
te esquecido...
Por
Felipe Gil
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5:29 PM
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sábado, 22 de dezembro de 2007
Quarto - 'Estandarte Real'
Metafóricamente, descreve a nostalgia do personagem.
Estandarte Real
Felipe Magnus Gil
23 de Junho de 2007.
Sou aquela bandeira
tremulando ao vento
presenciando a história
tremular por mim
e, oh, como sinto bem
sendo esta flâmula
a qual guardou em manchas
a memória dos tempos
de inocência, de beleza
medieval, valoroso humano
que presenciei a me hastear.
Sou aquela bandeira,
aquela pequena e suja flâmula
tão valorizada outrora,
Estandarte Real.
Sou aquela que também
mergulhou no sangue
para viver tudo,
tudo que me proporcionaram.
Sou aquela bandeira,
hoje esquecida
em um depósito de lixo,
em um almoxarifado
em prantos,deterioração do tecido.
Ou posso, no máximo,
este Estandarte,
estar exposto em um museu
para ser observado
por quem nunca reverenciou-me,
me amou ou me odiou.
Por
Felipe Gil
às
8:42 PM
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Terceiro - 'Caminho do Meio Diferente'
Uma apresentação existencial do personagem.
Caminho do Meio Diferente
Felipe Magnus Gil
18 de Setembro de 2007.
Nos ensinaram, quão bom o amor é,
olhando, com olhos de criança,
parece impossível
que alguma vez aquilo
pode se tornar motivo de vida,
assim como pode arruiná-la.
E nunca se torna costume.
As pessoas mudam,
os fatos mudam,
os sentimentos mudam,
e o amor só te faz sofrer,
no fim de tudo.
Criança, nao sei amar.
Sou adulto em muitas coisas,
há algum tempo, inclusive.
Mas amar, talvez nunca
aprenda como lidar.
Sei que o sofrer nos ensina,
mas já são tantas dores
que as lições se confundem,
e não sei mais o que aprendi
enquanto me despedia
de alguém.
Meu caminho do meio
nunca será ambos,
mas sempre nenhum.
Por
Felipe Gil
às
8:36 PM
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sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
Segundo - 'A Segunda Promessa'
Após o quebramento da primeira promessa, realizada no poema de 2006.
A Segunda Promessa
Felipe Magnus Gil
Escrito em 05 de Outubro de 2007.
A cada dia que passa,
fico mais próximo de ti.
A promessa que quebrei,
a ficção que inventei -
tudo se materializa novamente.
O que tenho aprendido contigo:
ser mais frio, introvertido,
cético, enfim, solitário.
A cada momento sou,
ainda mais, tua imagem e
semelhança. Incrivelmente,
meu pai, não és.
E o invisível de tua ficção
me instiga a querer ver-te.
...
A partir de hoje,
não sinto nada por ninguém.
Pois aprendi a igualar sonhos
a sentimentos, e a anular-los
invariavelmente, pouco a pouco.
Minha segunda promessa,
tu verás concretizada,
Anacoreta.
Por
Felipe Gil
às
2:55 PM
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Primeiro - 'Tortura do Anacoreta de Fevereiro'
Este foi o poema que me inspirou o nascimento do personagem que dá nome a este blog em mim.
Tortura do Anacoreta de Fevereiro
Felipe Magnus Gil
Escrito em 02 de Novembro de 2006 (data incerta!).
Após o sentimento otimista repentino,
me volta a já normal exclusão a si mesmo.
Prometi, em uma madrugada de verão,
do amor, a triste renúncia.
Mas acabo esquecendo a promessa,
alegre por encontrar alguém que me complete.
Amor distante, amor alegre,
amor distante em todos os sentidos, porém.
E agora esqueço todos ao meu redor
que já alguma atração alguma vez tive,
Anacoreta de fevereiro agora chora
sua forçada entrada ao mosteiro da vida.
Mosteiro isolado, personificado,
abrigando um único monge, que chora
ao olhar forçado de um exterior
onde ninguém sobrevive sozinho.
Por
Felipe Gil
às
1:15 PM
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