Um poema experimentalista, pós-moderno. Me encanta esse (novo?) estilo de escrita (que criei?).
Haiti (Sílabas)
Felipe Magnus Gil
23 de setembro de 2010.
Mar tá for, tinhoso.
Frou, chata. A nau fraga.
O ven toma con, tambor.
A chu varre a sujei rasteira.
Terra rasada. Cida destruída.
Concre tomba. Huma nu.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Vigésimo Nono - Haiti (Sílabas)
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Felipe Gil
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3:30 AM
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domingo, 29 de agosto de 2010
Vigésimo Oitavo - Verbete Promiscuidade
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Felipe Gil
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1:26 PM
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quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Vigésimo Sétimo - O Tempo Perdido
Todos os dias quando acordo
Não tenho mais
O tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo...
Todos os dias
Antes de dormir
Lembro e esqueço
Como foi o dia
Sempre em frente
Não temos tempo a perder...
Não tenho medo do escuro
Mas deixe as luzes
Acesas agora
O que foi escondido
É o que se escondeu
E o que foi prometido
Ninguém prometeu
Nem foi tempo perdido
Somos tão jovens...
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Felipe Gil
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12:51 AM
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sábado, 14 de agosto de 2010
Vigésimo Sexto - "Somente para visitar"
Este post começou a surgir quando tive a brilhante ideia de ouvir novamente, depois de um tempo considerável (entre um e dois anos após) uma música que sempre me emociona muito quando ouço. Posso estar triste, feliz, amando alguém ou completamente sozinho, sempre choro ouvindo esta canção: "Nur zu Besuch" ("Somente para visitar", literalmente, do alemão), da banda Die Toten Hosen.
http://www.youtube.com/watch?v=sOzMWu0awMY
A letra não fala, incrivelmente, de amor. Fala da morte do pai do vocalista da banda, em uma metáfora muito bonita. Alguns trechos traduzidos aqui são veiculados, antes que eu encerre o meu raciocínio:
"Sempre quando te visito, me sinto sem limites,
Todo o resto está muito longe daqui.
Me agrada o silêncio daqui, dentre todas as árvores.
É como se a paz na Terra realmente existisse.
(...)
Trago flores comigo, não sei se você vai gostar,
antigamente, você se alegrava bastante.
Como eu estou, você sempre me faz esta pergunta,
eu estou bem, não quero te causar preocupação.
E então converso contigo, como sempre,
como se ainda fosse cedo,
como se tivéssemos todo o tempo do mundo.
Eu sinto você perto de mim,
posso ouvir sua voz ao vento,
e quando chove, sei que você as vezes chora
até o sol brilhar, até ele brilhar novamente.
(...)
E vou sempre ao correio, com grandes cartas endereçadas a ti,
mesmo todos sabendo que você já se mudou.
E então, eu converso contigo, como sempre,
e eu te prometo, nós teremos, a qualquer momento,
todo tempo do mundo.
E então vamos nos rever,
você pode se preocupar, quando quiser,
que neste dia, o sol também brilhará sobre minha lápide,
até o sol brilhar, até ele brilhar novamente."
Esta letra me lembra conceitos muito próximos do meu "ideal" amoroso, um tanto quanto romântico a moda antiga. O trecho do ramo de flores entregue sem expectativa de 'retorno', do "não quero te causar preocupação" e da carta endereçada para o endereço errado, são exemplos.
São coisas pequenas, de um comportamento que não se percebe mais. Isto é o meu ideal emotivo até hoje. Entretanto, eu fui obrigado a "esquecer", a ignorar tudo isso com o passar do tempo, com o calejar do rosto e do coração. Em nome da modernidade: este "idioma" comum entre a maior parte das pessoas. Esta modernidade que põe como ideal objetos, e não sentimentos, situações, pessoas. A modernidade pressupõe a banalização. E também pressupõe (a banalização d)o fútil.
É engraçado perceber a transição de um romântico "até-as-últimas-consequências", como já fui, para um cara tentando se passar por moderno (sem o sucesso que espero). Engraçado mesmo, cômico. Porque a gente acaba se moldando por aquilo que os outros querem que a gente seja (visando maior aceitação), e não aquilo que queremos de verdade (por mais antiquado que possa parecer).
A modernidade nunca trará o sucesso emocional que espero. Somente trará, em seus fúteis desfechos, desilusão e banalização do que (ainda) pode se sentir por alguém.
Mas, seguirei (ou seguiremos) assim, fiel(éis) fingidor(es). Porque ser moderno é mais "prático", é mais jovem mesmo. #ironia
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Felipe Gil
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2:03 AM
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domingo, 25 de julho de 2010
Vigésimo Quinto - O Artista
O Artista
Felipe Magnus Gil
25 de julho de 2010.
Artista é quem sofre
mas não como todos
mas não como muitos
mas com todos os muitos.
Artista faz arte porque sofre.
Mesmo sendo pequeno,
mesmo sendo exagerado,
exageros pequenos são arte.
Cada desejo não atendido
é uma gota de arte nascente.
Tem como mãe a moral,
como pai, a razão.
O silêncio dos tempos,
o meu próprio silêncio.
Some a arte passional,
então surge a coloquial.
...
Artista não pensa.
Sentir é o verbo;
esquecer de ouvir,
esquecer de amar,
esquecer de andar.
Racionalidade, é o que me pedem.
Quando se despedem, "te cuida!".
Não sei se é um recado indireto
da minha alta irresponsabilidade,
da falta de quem ame alguém assim,
ou da minha falta de caminho. Sina.
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Felipe Gil
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6:48 PM
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terça-feira, 29 de junho de 2010
Vigésimo Quarto - Merecimento
Merecimento
Felipe Magnus Gil
28 de junho de 2010.
Nada.
Nada é o que mereço.
Pois se merecesse,
a distância não calaria,
a emoção não limitaria,
a palavra não cederia,
a verdade não cortaria.
E nada de surpresas.
Nada. Tudo antigo.
Tudo cíclico.
Silêncio.
De quem deveria ouvir.
O choro em vão,
a palavra em vão,
a verdade em vão,
a vida em vão,
com fins punitivos
a quem merece
nada.
Eu sou o estranho,
eu sou o bizarro,
eu sou o que não sou,
eu não sou o que são.
Silêncio meu.
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Felipe Gil
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8:43 PM
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sábado, 12 de junho de 2010
Vigésimo Terceiro
Um texto que escrevi em janeiro deste ano. Em uma manhã inspirada. Não é de compreensão geral.
26 de Janeiro de 2010.
Felipe Magnus Gil
"Fizeram que nos esquecessemos de irracionalidades muito antigas, e que não aparentavam ser maléficas.
Após a nuvem de pólvora e chumbo, depois de tantas mortes (incluindo a maior delas, a da verdade), nos fizeram acreditar em um mundo completamente novo, como se houvessem raspado até a lisura toda inscrição humana - tudo que havíamos construído durante séculos a fio.
O homem, nobre ou servo, que trocava moedas por comida ou moradia, agora se vê escravo de uma ganância generalizada por obter o dinheiro que não se gastaria em uma vida, somente para humilhar aquele que era seu semelhante, seu irmão.
Na ausência de um inimigo nacional - começando pela falta de nação - isolaram todos os humanos uns dos outros (não importando se irmãos de sangue, amigos ou desconhecidos) e os fizeram inimigos."
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Felipe Gil
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9:31 AM
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terça-feira, 1 de junho de 2010
Vigésimo Segundo - "Pedido"
Pedido
Felipe Magnus Gil
Madrugada de 31 de maio para 01 de junho de 2010.
Sempre sozinho,
mesmo acompanhado,
mesmo amando.
Sina que me persegue.
Existe felicidade sábia?
Autodestruição sem motivo?
Voltar ao que passou, e dizer
que poderia ter feito melhor.
Quando nunca poderia melhorar.
Arrependimento corrosivo.
Arranca partes do que vivo.
Sem pudor, sem rancor, sem lábia,
da adaptação ao artificial, me esquivo.
E tento fugir das poucas formas
disponíveis. Fugir não adianta,
encarar tampouco. Fracasso certo.
Eu só queria alguém aqui perto.
No frio, que me ponha uma manta,
que diga que não se conforma,
que não tenha que cumprir normas,
que me ame, mesmo estando sozinho.
(Peço muito?)
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Felipe Gil
às
12:35 AM
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domingo, 28 de março de 2010
Vigésimo Primeiro - "Os Dias Passam"
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Felipe Gil
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12:22 AM
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quarta-feira, 24 de março de 2010
Vigésimo - "Cigarro Ar"
Cigarro Ar
Felipe Magnus Gil
Madrugada de 23 para 24 de Março de 2010.
As cinzas deste chão
ardem em mim.
As cinzas do meu ser
pairam sobre o ar.
Trago o vento,
forço a fumaça,
é tudo igual.
Sem farsas,
passageiro,
mortal.
Quando não há mais prazer
ou vazão, ou sentido, ou sequer
ódio, naquilo que se respira,
só é urgente o novo.
Trago o vento,
escondo tempestade,
é tudo igual.
Majestade,
louco,
banal.
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Felipe Gil
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2:43 AM
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domingo, 28 de fevereiro de 2010
Décimo Nono - Louco
Estou ficando louco. Através do simples medo de enlouquecer. No pior sentido da palavra. Não entendimento, ostracismo, inércia, sensação de inutilidade. De ser alguém não adequado a este puto planeta. Onde as pessoas mais valorizadas são exatamente aquelas que não valem a sola do sapato que usam.
...
Mas nem sei porque digo e repito essas coisas, afinal, eu sou louco, e como tal, não sou ouvido pelos (teoricamente) conscientes.
Meus erros são sempre maiores que meus acertos. Sempre. Até isto que estou escrevendo, já considero um erro. Mas um erro de quem já se considera que não tenha mais nada a perder com esses atos insensatos.
Já não sei mais o que é amar. Cada coisa que vejo... A noção das coisas acaba sempre se dissipando no ar, como a fumaça de um cigarro.
Talvez por essa falta de referencial, eu tome para mim conceitos, práticas e condutas das mais ultrapassadas possíveis. Sim, isso tirando o fato aqui já citado: eu sou velho - minha alma é assim.
A noção que tenho, que não existe ninguém (mais) que possa me satisfazer (como pessoa, sexo parece algo em série hoje em dia) pode ser, para alguns, arrogância, soberba, ou sei-lá-o-quê. Mas para mim, é a prova mais contundente da minha velhice. A velhice que me torna inadequado (no mínimo) para este puto mundo.
...
...
E as únicas bocas que me fazem feliz são as que derramam álcool em mim.
Porque, de outra forma, sempre há descontentamento (meu ou da outra pessoa).
São inúmeras, incontáveis as vezes que pensei durante minha curta vida que nasci para ser sozinho. Ou, a versão mais nova deste pensamento, que nasci apenas para assistir a felicidade alheia.
~Ele não consegue relaxar...ele não consegue nem ao menos dormir! Ele é tenso só porque seu amor não vive em São Paulo, nem Porto Alegre, em lugar nenhum!~
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Felipe Gil
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8:29 PM
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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Décimo Oitavo - Ferrugem
Desde muito cedo, adquiri o hábito de beber água da torneira ou do chuveiro, quando escorre pelo rosto. Quando guri, jogava bola no pátio do meu condomínio, e sempre que cansava, bebia água numa velha torneira. Meus pais sempre me diziam que aquela água não fazia bem à saúde, mas era tão bom o gosto, a sensação, que nunca resistia ao apelo daquela velha bica.
Passado anos, havia praticamente esquecido esse hábito tão banal.
Chego hoje do trabalho, ligo o chuveiro e me banho com a água completamente gelada, tamanho o calor da cidade nessas épocas. A água escorria pelo rosto. Não resisti - bebi vagarosamente aquela água. A mesma sensação boa, o mesmo gosto, de quando piá. Olhei para cima, depois de um tempo, e avisto os furos do chuveiro de plástico completamente enrubecidos. Lembrei dos alertas dos meus pais. Continuei. As memórias eram tentadoras.
Estou cheio de ferrugem.
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Felipe Gil
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7:32 PM
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sábado, 9 de janeiro de 2010
Décimo Sétimo - Interesses
Uma música sarcástica que é aterrorizantemente real para mim.
(Die Prinzen - "Du musst ein Schwein sein")
"Ich war immer freundlich, lieb und nett,
kriegte nie irgend 'ne Frau ins Bett.
Und dann auf Macho, cool und arrogant,
plötzlich kamen sie angerannt.
Und wieder seh' ich wie's im Leben läuft,
wer hart ist, laut und sich besäuft,
kommt bei den Frauen besser an,
wer will schön 'nen lieben Mann?"
Não existe mais nada sério entre ninguém neste mundo. As relações hoje são apenas fruto de interesses convergentes, nada mais que isso. Ninguém quer alguém que se espere fidelidade, amor verdadeiro, ou simplesmente que seja uma pessoa carinhosa.
Minhas expectativas nunca morrem, estou percebendo isso cada vez mais em mim. Guardo-as em um baú de ouro e titânio, trancado a 7 chaves, para que durem. Pois era assim que se vivia em algum tempo remoto ao qual pertenço. Vida linear, em que qualquer vivência sempre era válida, e que nada se jogava fora, esquecia ou abandonava como hoje muito se faz.
As pessoas comuns hoje são repositórios de prazeres, em que a virtude maior é a variedade de fontes destas sensações. Nada mais é considerado além do prazer e dos interesses.
Eu sou ultrapassado. Eu sou Hans Stübel von Christoffeln. Eu sou Qorpo Santo. Eu sou Lemovis Guadalion. Hoje, eu sou ninguém.
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Felipe Gil
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12:09 AM
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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Décimo Sexto
Agora entendo o nihilismo profundo de algumas pessoas. Nihilistas fumantes, que dizem que seus melhores 20 amigos estão em um maço. Porque as pessoas são podres, e nada pode impedi-las de serem assim. Eu não sou mais uma laranja no cesto, nasce boa e acaba apodrecendo com as demais.
Inveja dos Podres
Felipe Magnus Gil
31 de dezembro de 2009.
O que eu quero
A ninguém interessa.
Da podridão a festa,
de evitar me esmero.
Nada mais seduz.
Ninguém mais me conduz
Em falácias atrativas;
Condição punitiva.
No que sinto, inveja,
somente há torpor,
mesmo que seja
saudade de um amor.
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Felipe Gil
às
8:32 PM
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terça-feira, 29 de dezembro de 2009
15 1/4
Singela pergunta:
Eu tenho que frequentar/gostar de puteiros para ser considerado adulto pelos que me rodeiam?
Meretrizes, estas são as primeiras mulheres que o homem se afasta para obter sucesso na vida, já diria Schopenhauer.
Álcool etílico e nicotina são mais saudáveis (menos arrasadores).
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Felipe Gil
às
11:55 PM
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Décimo Quinto
Minha vida é cíclica. Na realidade, acredito que todas as vidas, humanas ou não, tenham esta característica. Mas a modernidade nos cega de coisas simples, e ao mesmo tempo impressionantes.
Não consigo escrever como antigamente o fazia. Exatamente porque escreveria os mesmos versos. Mesmo com planos de fundo e situações bem divergentes. Talvez nem tudo na vida seja cíclico (como eu fielmente acredito), mas os sentimentos, esses sim, o são.
Postarei lindos versos de uma poetisa portuguesa, a Florbela Espanca. Um belo par para um anacoreta, e que, ao contrário deste, teve a virtu de nascer no momento histórico correto.
Além de ser bem compatível com o momento vivido...
Florbela Espanca - A Minha Dor
A minha Dor é um convento ideal
Cheio de claustros, sombras, arcarias,
Aonde a pedra em convulsões sombrias
Tem linhas dum requinte escultural.
Os sinos têm dobres de agonias
Ao gemer, comovidos, o seu mal…
E todos têm sons de funeral
Ao bater horas, no correr dos dias…
A minha Dor é um convento. Há lírios
Dum roxo macerado de martírios,
Tão belos como nunca os viu alguém!
Nesse triste convento aonde eu moro,
Noites e dias rezo e grito e choro,
E ninguém ouve… ninguém vê… ninguém…
Por
Felipe Gil
às
11:22 PM
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quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Décimo Quarto - "Amores e Desejos"
Aqueles conceituais, sinto uma certa vergonha de postá-los...ah, tanto faz.
Amores e Desejos
Felipe Magnus Gil
30 de Abril de 2005.
A alegria é, muitas vezes,
conseqüente da ignorância.
Já ouvi muitas vezes, por aí,
que amores precisam ser alegres.
Portanto, precisam ser ignorantes,
alegres, descontrolados, mas capazes.
Outras vezes, amores são resultado
de um sentimento interno muito grande,
simplesmente por estar só.
Quando o amor finalmente então vem,
O mundo é composto de duas pessoas
somente,todo o resto passa a inexistir.
Sofrimento também causa ignorância,
mas gera indiferença também.
E quando não ignora-se mais
O que está a nossa volta -
(geralmente na decepção
de não ser aceito amorosamente),
surge o simplese tão condenado desejo -
O qual é solitário, pode abranger
muito mais do que uma pessoa.
O desejo faz com que todas as pessoas
pareçam como elas são -Assim, algumas se destacam.
Desejos são para pessoas tímidas,
Permitem tudo, imaginativamente.
Desejos contradizem tudo
o que fazemos - (ou deveríamos)
na realidade do dia-a-dia.
Amores são cegos, sim,
por serem ignorantes.
Os amores são criativas desculpas
para desejarmos quem não conhecemos.
Amores se provam ignorantes pois,se julgam eternos -
Mas mal sabem eles
que nada resiste à força do tempo.
A expansividade dos amores
se justifica por não conhecermos
quem estamos amando.
E nem sabemos quando é recíproco!
Rejeitados, todos caem no desejo.
O pecado extremo Católico,
que todos cometem, mesmo amando.
Por
Felipe Gil
às
10:10 PM
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Décimo Terceiro - "Sociedade Hierárquica"
Um dos meus poemas atemporais.
Sociedade Hierárquica
Felipe Magnus Gil
11 de Fevereiro de 2006.
Sem eu, eles vivem.
Comigo, igualmente.
Somos um pequeno grupo,
Vivendo entre os traiçoeiros rochedos
de uma sociedade hierárquica.
Desde Roma, possui o mesmo funcionamento,...
Os melhores em altos cargos,
Os piores, "aos leões"...
Vivemos limitados pelos rochedos alheios
Caminhando contra o vento, com medo
Que pedregulhos caiam sobre nós.
Enquanto os que estão nos rochedos estão cegos pelo Sol,
Estamos sendo guiados a um lugar ignoto
Pela nossa própria escuridão.
...
Nunca cresceremos a ponto de alcançar os rochedos
Nunca os alcançaremos, diante de suas gigantes sombras.
Que pedregulhos caiam sobre nós!
As sombras dos rochedos não nos permitem
alcançar um olhar inocente
dos céus.
Somos um pequeno grupo
Caminhando contra o vento, com medo
da nossa própria escuridão.
Vivemos limitados pelos rochedos alheios
Apesar das sombras dos rochedos não nos permitirem
que pedregulhos caiam sobre nós.
Vivemos limitados pelos rochedos alheios
E nunca cresceremos a ponto de alcançar os rochedos
dos céus.
Vivendo entre os traiçoeiros rochedos
Estamos sendo guiados a um lugar ignoto
de uma sociedade hieráquica.
Por
Felipe Gil
às
9:53 PM
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terça-feira, 5 de agosto de 2008
Décimo Segundo - "Fábrica" (parte 1)
Esse é um dos meus (poucos) poemas atemporais, e que tem um certo tom rebelde...
Estilo distoante do resto do blog, mas ainda sim, é válido postá-lo, ela continua em voga. =D
Fábrica
Felipe Magnus Gil
08 de Agosto de 2005.
Frios humanos,
ocos são os crânios
e através dos anos
dados tiranos
passeiam nestes crânios
como ciganos.
E tudo passa em branco.
Não querem que sejas franco
Apenas querem tua senha do banco
Apenas querem mais uma muleta, como mancos.
Inteligência, comportamento, consciência de plástico,
Realidade voltada para o fantástico
Tudo que assiste, tudo deve ser muito mágico,
São todos iguais, todos fanáticos
E tudo se passa frustrante.
Querem que sejas ignorante
Consumidor fiel, obeso, homem propaganda, bêbado e fumante
Querem que sejas tudo aquilo que se assiste dela diante.
A Deusa da Modernidade.
Por
Felipe Gil
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9:49 PM
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Décimo Primeiro - 'Imobilidade'
"Comemorando", com uma semana de atraso, os 2 anos de aniversário do (eterno) Anacoreta.
(15/02/2006)
Imobilidade
Felipe Magnus Gil
22 de Fevereiro de 2008.
O que vivo hoje,
(dói-me profundo),
só ilustra o que perdi.
Pois o que conquistei
não tem valor algum
para ninguém, e o que perdi
possui valor imenso para todos.
Nunca esperei letargia
em madrugadas de espera.
Nunca pensei que difícil fosse,
e o costume, tão tentador.
Se a lágrima derramada ontém
fosse a mesma derramada hoje,
talvez me acostumaria a algo.
As inócuas esperas de hoje
ilustram-me a ignoradíssima
abundância de outrora,
cruelmente, como fui antes.
Resumir a paralisia que sinto
em não poder fazer nada por mim
é algo que ninguém entenderia.
O ignorar de tudo que sou
para somente tentar atrativo
ser, como um produto...triste
a modernidade que age assim.
Por
Felipe Gil
às
11:24 PM
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